quinta-feira, 16 de agosto de 2007
domingo, 12 de agosto de 2007
O Convite
Não me interessa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar
em satisfazer os anseios do seu coração.
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de
parecer tolo por amor, pelo seu sonho,
pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas
estão em quadratura com sua lua.
O que quero saber é se você já foi
até o fundo de sua própria tristeza, se as
traições da vida o enriqueceram ou se você
se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.
Quero saber se você consegue conviver com a dor,
a minha ou a sua, sem tentar escondê-la,
disfarçá-la ou remediá-la.
Não me interessa saber se a história
que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar
o outro para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição
e não trair sua própria alma,
ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita,
e fazer dela a fonte de sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso,
o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé
na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua:
“Sim!”
ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,
exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer
o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro
do fogo comigo sem recuar.
Quero saber o que o sustenta,
no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo,
e se nos momentos vazios realmente gosta
da sua companhia.
Oriah Mountain Dreamer
sábado, 11 de agosto de 2007
Gibran

Perguntam-me como me tornei um louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito antes do nascimento dos deuses, despertei de um profundo sono e descobri que me haviam roubado todas as minhas máscaras. Sim, as sete máscaras que eu mesmo havia produzido e que vivi durante sete vidas distintas. Corri sem máscara pela multidão, gritando:
- Ladrões! Malditos ladrões!
Homens e mulheres cheios de espanto correram a refugiarem-se em suas casas. E quando cheguei à praça do mercado, um jovem da sacada de sua casa, sem aviso gritou:
- Vejam! É um louco!
Ergui a cabeça para observar quem gritava, e pela primeira vez senti o sol em meu rosto desnudo, e minha alma se inflamou por amor ao sol, e não quis mais ter máscara alguma. E como saído de um transe, gritei:
- Benditos sejam os ladrões que roubaram minhas máscaras!
E foi assim que me tornei um louco.
Gibran Khalil Gibran, O Louco, 1918
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
someday I'll be Saturday night
Yeah I'm down, but I know I'll get by
Hey hey hey hey, man gotta live my life
Like I ain't got nothin' but this roll of the dice
I'm feelin' like a Monday, but someday I'll be Saturday night